1600 DC - Século XVII - A Colonização
Em 1615,
com o tráfico intenso do pau-brasil na região, o então governador do Rio
de Janeiro, Constantino Meneláu, se interessou por esta fonte de riqueza.
Associando-se secretamente aos ingleses Meneláu combateu navios holandeses
em defesa da região, voltou a Cabo Frio para expulsar os ingleses que
o haviam enganado e ocupou a fortaleza-feitoria na ilha (Casa de Pedra),
utilizada anteriormente por portugueses e franceses.
Até que, Menelaú recebeu ordens do Rei Filipe III, da Espanha, para retornar
mais uma vez à região e estabelecer um povoado.
Mais de 400 pessoas, incluindo
brancos e índios, levantaram a Fortaleza de Santo Inácio e fundaram a
Cidade de Santa Helena do Cabo Frio - a sétima mais antiga do Brasil,
construída em 13 de novembro de 1615 e hoje conhecida como Cabo Frio.
Em 1616, Estevão Gomes, rico fazendeiro e comerciante de escravos africanos
no Rio de Janeiro, foi nomeado capitão-mór de Cabo Frio e transferiu
o sítio da povoação colonial para o atual bairro da Passagem, rebatizando-o
como Cidade de N. Sra. da Assunção do Cabo Frio. Também iniciou
o desmonte da fortaleza de Santo Inácio, durante a construção do
Forte São Matheus, finalizada em 1620.
Estevão distribuiu grandes
áreas de terras a meia dúzia de amigos e apadrinhados, favorecendo
a formação de latifúndios.
Em 1617 Estevão apoiou
a fundação da Aldeia de Índios de São Pedro do Cabo Frio pelos jesuítas,
atualmente conhecida como São Pedro da Aldeia. Esta abrigou 500 tupiniquins
catequizados, com o objetivo de evitar desembarques inimigos na costa.
A defesa da costa sudeste do país, manobrada pela guarnição da fortaleza
da barra e pelas tropas indígenas, derrotou tentativas de desembarques
inglês e holandês em 1617, 1618 e 1630, abrindo as portas para a elevação
da cidade a sede da Capitania Real do Cabo Frio em 1619 e à conquista
do norte fluminense, com a submissão dos índios goitacazes a partir de
1631.
Os poucos habitantes da região se dedicavam à pesca e à exploração
das salinas naturais da lagoa, enquanto os donos de terras, especialmente
jesuítas e beneditinos, estabeleceram fazendas de gado em Bacaxá, Parati,
São Matheus, Búzios e Macaé. Escravos africanos e índios trabalhavam nestas
fazendas, dedicando-se à agricultura, pesca, caça e coleta de subsistência.
Entre 1629 e 1630, em virtude da falta de investimentos urbanos da Coroa
portuguesa, os primeiros pescadores portugueses que se fixaram na região
retiraram-se, procurando uma vida melhor nas barras dos rios Macaé e Paraíba
do Sul.
Em torno de 1640 ocorreu a liberação de Portugal do domínio espanhol.
No ano de 1645, a situação continuava difícil e mesmo os degredados, que
vieram do Rio de Janeiro para povoar a cidade, fugiram para os Campos
dos Goitacazes à procura de terras e trabalho livre.
A Cidade de Cabo
Frio inviabilizou-se porque a barra de navegação (Canal do Itajurú) estava
semi-entupida e a fortaleza sem guarnição e sem armamentos. O monopólio
real proibia a comercialização do pau-brasil e do sal e o capitão-mór,
Estevão Gomes, concentrava em suas mãos os poderes militar, executivo,
legislativo e judiciário.
Entre 1650 e 1660, houve um grande desabastecimento
do sal português no Brasil. Esta crise chamou a atenção metropolitana
para a cristalização natural do produto na lagoa de Araruama.
Novo impulso foi então dado à economia da região com a criação de diversas
salinas. É deste período a construção da Igreja de N. Sra. da Assunção,
o sobrado da Câmara e a cadeia, que formavam o largo da Matriz, onde fincou-se
o Pelourinho.
Em meados de 1660, o interesse de investimentos consolidou-se na Cidade
de Cabo Frio. A seguir, os beneditinos receberam uma sesmaria urbana,
dando origem ao bairro de São Bento e, trinta anos depois, em 1696, os
franciscanos inauguraram o convento de N. Sra. dos Anjos, próximo à fonte
do Itajurú, no perímetro histórico do novo centro administrativo, religioso
e colonial.
O desenvolvimento urbano de Cabo Frio novamente parou no final do século
XVII.
Para solucionar a crise econômica instaurada, a Câmara passou a
arrendar as praias para pescaria de arrasto e a estimular a formação dos
antigos núcleos de povomento em Arraial do Cabo e em Búzios. Foram construídos
dois engenhos para a produção de aguardente em Araruama e foi erguida,
pelos jesuítas, a Fazenda Campos Novos. Este tornou-se mais tarde um estabelecimento
agropecuário modelo e foco importante de colonização do atual Distrito
de Tamoios. Inicialmente a fazenda foi destinada à criação de gado para
o abastecimento de açougues cariocas e à lavra de ouro das Minais Gerais.
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